Acordei um pouco mais feliz hoje. O lençol não estava tão bagunçado a ponto de quase sair totalmente do colchão, como nos últimos dias. Isso porque eu me mexo muito a noite e quando sonho contigo é como se estivesse caindo de um prédio. Não tem como não tirar o lençol.
Mas, essa noite, esfriou um pouco mais e foi um pouco mais tranquilo. Não pensei tanto assim em você antes de dormir. Impedi-me de lembrar do que você dizia, e me limitei a não pegar o celular e lembrar de seus sms da madrugada.
Acordei e automaticamente ajoelhei, orei e ainda não tinha lembrado de ti. Até me olhar no espelho. Antes, eu gostava de memórias, conseguia acreditar que já tinham passado e não me prejudicar ao lembrar delas. Mas com você é diferente. As lembranças só me fazem te querer de volta.
Às vezes consigo me distrair mas só por alguns instantes. Tudo me faz lembrar você. Aonde olho, lembro de ti, independente pra quem olho, vejo seu rosto. Eu já não consigo mais observar a feição das pessoas, é só a tua que eu enxergo.
Começo a pensar nos planos pro dia e acabo me esquecendo de você por um instante, mas não muito. Minha sorte é que só é possível pensar em uma coisa ao mesmo tempo. Antes de sair de casa eu leio; nos intervalos das aulas eu leio. Quando leio esqueço da vida, esqueço de você, esqueço de tudo.
Me concentro na leitura e esqueço até aonde estou. Quando não tenho algum livro por perto ou não estou tão a fim de ler, ouço aquelas músicas que você nunca gostou. Assim é que fujo das lembranças, das memórias, de você. Mas só por um momento, pois se não é vendo alguém lá fora, é alguém que senta ao meu lado trazendo o odor do teu perfume.
E ainda quando sinto meu celular vibrar, meu coração ainda acelera. Até cair a ficha de que não pode ser você.
Chego ao colégio e desvio da biblioteca. Era rotina entrar, ligar o primeiro computador e responder um e-mail teu.
Voltando pra casa, mais uma vez no ônibus que não me distrai e só me faz lembrar de ti, penso no que você está fazendo, aonde e com quem está. Não sei mais nada sobre você. Já percebi que não vou te esquecer, o jeito é me acostumar a viver sem.