Poesia em alto mar

Ontem eu olhei pro céu e vi a Lua cheia a brilhar, tal como seu olhar
ao me falar sobre amar, com os pés ora na areia, ora no início do mar,
naquela praia deserta, onde estivemos a conversar
sobre coisas que nos deixavam felizes, como o luar,
o próprio mar a nos esperar, nadar e rir sem parar.

Éramos felizes pelas coisas simples que tínhamos;
os momentos raros, mas muito caros, pois foram únicos.

Continuando a contemplar a Lua,
elevando-se através das últimas ondas do mar,
pude ver teu rosto nela,
aquele teu rosto perfeito, magnífico como só você.

Minha cabeça ficou pesada e minha visão ficou turva,
eu devia e tentei parar por lembrar tão profundamente das lembranças.
Mas era um momento tão encantador, apesar de apenas te imaginar.
Um lugar tão encantador, onde um dia estivemos juntos, à beira do mar.

Me permiti olhar a Lua mais uma vez e lá estava, teu rosto tão encantador,
tão encantador, tão encantador…
Tanto que me fez ficar mais, a contemplar teu semblante
a brilhar dentro duma bola fantástica, num céu maravilhoso, que parecia terminar no final do mar, até onde pude enxergar.

Lembro-me de ir até o mar, o máximo que pude, de cabeça erguida, percebendo a Lua, maravilhosa como nunca antes.
E ao andar cada vez mais, ignorando o vento gélido da madrugada em mim,
continuei andando, sem parar, querendo te encontrar.

Eu ia de encontro à Lua, lá eu poderia tocar seu rosto
e dizer que tudo bem, tudo ficaria bem a partir daquele momento
e nos amaríamos tanto quanto antes,
começando naquela noite escura e sombria, com exceção da Lua que era a luz do meu olhar.

A última coisa da qual me lembro foi de caminhar tanto que as ondas me engoliram
e não pude te tocar, por mais que estendesse meu braço,
você não me ajudava e acabei mais uma vez, sozinha e impedida pelo impossível.

As ondas altas me engoliram e tamparam-me o rosto, fazendo com que eu não mais pudesse te ver.
O que eu mais queria era contemplar-te!
A tanto eu não o fazia!
Sinto sua falta, quero você aqui, ao meu lado, a contemplar a Lua comi…
e as ondas não me deixaram mais falar nem gritar.

Me faziam engolir água sórdida e salgada. Amarga como nunca.
Talvez, tão ruim pelo momento, por não conseguir te conquistar mais uma vez.
Acabei deixando ser levada pelo mar
e mais uma vez minha fraqueza me derrotou.

 

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